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——- just an empty space inside————

março 23, 2007

Ele já sabia o que ia acontecer.
O sinal era o aviso: Amanhã a Mariana me convidou para ir tomar cerveja! – falava ela com aquele permanente sorriso nos lábios carnudos.
Aquelas palavras soavam como um rufar de tambores no seu cérebro. E o corpo inteiro começava a experimentar sensações estranhas. Até então, ele que se encontrava num estado sereno e quase apático, assim que ela concluía a frase, podia sentir seu estômago corroendo, abrindo um vale que arrepiava o couro cabeludo e uma sensação trêmula nas pernas, tão real, que às vezes ele chegava a pensar se tinha tomado umas pingas a mais.
A obsessão por aquele amor era como um viciado em busca de cocaína. Não se sabe quando começou e quando acabará, mas os minutos de satisfação pareciam recompensar a vida perdida.
Ela o avisou quando saía de casa no meio da manhã e começava então um dos dias mais longos de sua vida. Ele tinha a sensação de que o mundo tinha parado e sua rotina estava em câmera lenta.
Ele. que não era muito adepto a rotina, tinha alguns rituais que sempre se repetiam.
Um telefone que tocava incessantemente.
Porém, naquele dia, nada ousou acontecer. Por mais que ele procurasse por alguém, a cada minuto que passava estava mais vazio e solitário. Um tédio insuportável invadiu a sua vida. E os ponteiros do relógio ficam estacionados.
Finalmente chegou a noite.
A noite vazia. Ninguém ao seu redor, nada acontecia e as horas paradas. Ele sabia que ela não ia chegar antes do amanhecer, mas insistia em acreditar que ouvia o barulho da porta. Então ia correndo até ela e, como o esperado, estava vazia. Nem sinal dos seus cabelos castanhos.
O seu cheiro de mel estava impregnado em cada canto desde que tinha saído e nunca mais voltado. E o retorno parecia um dia que não existia. Então saiu a perseguir este cheiro. Foi até o ponto de táxi, mas nesse momento se sentiu um idiota. Se deu conta da loucura que estava tomado.
Porém a risada não saía da sua cabeça.
Aquela risada que ele queria tanto ouvir. Aquela risada que soava como um concerto.
Estava exausto, esgotado… E essa sensação o fez adormecer.
Quando acordou já era a metade do outro dia e finalmente ela chegava.
Ele a olhava com a cara estragada pelo estresse enquanto ela começava a tirar a roupa. Ele tentava falar e não conseguia. Continuou a olhá-la, boquiaberto, com o coração saindo pelos olhos que sangravam lágrimas incontroláveis.
E ela falou: – o que foi, a vida não é conto que o príncipe esperava?
Não é, não era… aquela vida não era. Foi aí que descobriu que não adiantava mais existir. E resolveu num fim. Afinal, quem foi que disse que a vida é justa?

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