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blaaaaaa????
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Oi!!
Acabei de acessar a internet não tinha visto as mensagens. Estava no cinema, fui assistir o último filme do Woody Allen, O Sonho de Cassandra, com trilha do Philip Glass. Estou meio sem palavras até agora, é um filme lindo!!??!! não não posso falar que é só lindo, porque trata do ser humano, daquele lado obscuro do ser humano, um ser humano que ultrapassou o limite natural, que todos temos e sabemos sem precisar enumerar. Um filme de violência sem truques de edição, sem sangue, sem balas, sem gritos e com personagens reais, que realmente “representam” pessoas de verdade e vão além da linha, corrompem além do seus valores.
Todos sabemos do nosso inferno e paraíso interior, o nosso lado bom e mal que nos faz humano. Essas nossas partes nos fazem amar e odiar com tanto amor e tanto ódio mas não nos corrompem porque temos um freio consciente e inconsciente. Fiquei pensando muito no que você falava de não se vender e de ter uma ideologia. E talvez isso signifique encontrar os valores, os meus valores, até onde vou sem corromper a minha ideologia. O limite natural está naquilo que acredito firmemente e que me move para além do meu próprio limite hipotético. Acho que é preciso chorar e rir, sentir dor e gozar de e por algumas e muitas coisas na vida, mas é visível que há o momento para parar – e isso a gente sente dentro da gente- como vc mesmo citou, para certas coisas é preciso admitir um não, como o Police devia ter parado.
Esse filme tem tudo a ver com isso, tudo a ver com o que discutimos essa semana, valores, famíla, ego, interesse, grana, fama, simplicidade… sem falar que o roteiro é genialmente escrito.
bjs
Cacá
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De: José Wilker
Enviada em: quarta-feira, 9 de janeiro de 2008 05:08
Para:
Assunto:descontentamentos
Cara senhora Fabíola,
Atrasos e esperas são as coisas mais comuns do mundo em tevê ou cinema.
Talvez exista quem reclame apenas por hábito ou falta de assunto.
Eu, em geral, leio. Ou brinco. Quando ao MEU DESCONTENTAMENTO, quero deixar claro que
NÃO TEM NADA A VER COM O MACIEIRA. Creio que o interpreto lamentavelmente.
Mas ele é bem escrito e traz idéias bem interessantes para a história do
AGNALDO. Meu DESCONTENTAMENTO é com a minha profissão, em particular com a
MINHA PRESENÇA NA TEVE. Por conta de tudo o quando se criou em redor dela.
Principalmente por conta de uma MIDIA burra que a serve – ou melhor – desserve.
Parece-me fundamental que qualquer arte seja bem servida pela crítica.
Ela é essencial. Sem a crítica não teríamos um VAN GOGH ou PROUST ou PICASSO eu
BOTICELLII ou HOMERO ou RENATO ARAGÃO ou PAULO GRACINDO ou LIMA DUARTE ou
ENE outros tão fundamentais. Entretanto, o que vivo agora é uma inesgotável invasão de
TOLICES, um compulsivo querer descobrir QUEM COME QUEM e ONDE e outras
FUTLIDADES, que prestam enorme desserviço ao que se produz na tevê. Ela já é – quase sempre -
RUIM o bastante para dispensar mais esta colaboração idiota. Mas, como inventaram
que fazer jornalismo sobre televisão é encher quadradinhos com notinhas maliciosas ou mal apuradas, fazer o que?
Inventaram que é disso que o PÚBLICO gosta. É possível que haja alguma defesa para esta MEIA VERDADE.
Mas, o ato, a ação correspondente é um exercício preguiçoso do ofício.
Enfim, não quero mais tomar o seu precioso tempo, fica um resumo: estou descontente com o “ao redor” da TEVÊ.
E vou tentar evitá-lo o quanto puder. Dedicar-me a coisas que me dêem mais prazer, como
CINEMA, TEATRO, FUTEBOL, LEITURA, MÚSICA, MODA, ÓCULOS, RELÓGIOS,
SEXO, BOA MESA, AMIZADES, BOA TELEVISÃO, qualquer coisa. Sou ator há 45 anos. Tenho o maior
ORGULHO da profissão que escolhi e, sobretudo, respeito por ela e pelos colegas com
os quais a divido. Quero continuar assim. Vou continuar assim.
Abraço,
José Wilker